O Brasil também deveria sobretaxar os alimentos com níveis excessivos de sal e açucar e reduzir os impostos dos alimentos mais saudáveis
O governo da Hungria quer aprovar uma lei que aumenta entre 5% e 20% os impostos sobre comidas e bebidas que tenham níveis excessivos de sal e açúcar.
O projeto de lei, apelidado de "imposto do chocolate", tem por objetivo tornar os húngaros mais saudáveis.
A porta-voz do governo diz que a saúde dos húngaros é, em média, pior do que a dos outros europeus, com muitos casos de câncer e doenças cardíacas.
dólares por ano para o governo, mas está sendo criticado pela indústria, que diz não ter sido consultada o suficiente durante o processo de elaboração da lei.
O Parlamento deve votar o projeto de lei nas próximas semanas.
Sou totalmente a favor de que esta lei seja aprovada e fiscalizada, né.
A partir desta informação acima, vamos pensar na nossa situação no Brasil:
A imensa maioria das pessoas não os dispensa na dieta – mas milhões ficam doentes por causa do excesso de ambos. Sal e açúcar são ingredientes que trouxeram um novo sabor à comida humana e também um dissabor
Nas últimas décadas, a industrialização e os avanços tecnológicos vêm permitindo um maior acesso a alimentos industrializados e a fast-foods. Esses alimentos apresentam maiores teores de sal, gordura e açúcar e poucas concentrações de fibras, vitaminas e minerais
No Brasil, de acordo com a última Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE 2002-2003, num universo de 95,5 milhões de pessoas acima de 20 anos há 3,8 milhões de pessoas (4,0%) com déficit de peso e 38,8 milhões (40,6%) com excesso de peso, das quais 10,5 milhões são consideradas obesas.
O brasileiro também tem exagerado na ingestão de sal. De acordo com o Ministério da Saúde, em seu Guia Alimentar de 2006, estamos ingerindo cerca de 30 gramas de sal por dia (12gramas de sódio), quando deveríamos ingerir no máximo 12 gramas (5 gramas de sódio).
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o açúcar de adição não ultrapasse 10% das calorias de uma refeição. Apesar disso, no Brasil as crianças consomem quase o dobro dessa recomendação. Os refrigerantes são os maiores contribuintes individuais dessa ingestão.
Praticamente, todos os alimentos industrializados contêm sódio. Do pão integral ao refrigerante… Até mesmo os sucos artificiais em pó contêm sal. “Mas os campeões são os embutidos (presunto, salame, mortadela, salsicha) e defumados.
Entre o sal e açucar, o sal ainda é o vilão mais temido, pois está presente em praticamente todos os alimentos, principalmente os mais consumidos: os industrializados. O que não ocorre sempre com o açúcar. Um hot dog simples contém 1,15g de sódio e uma fatia de pizza de calabresa ou mussarela tem em média 1,8g. Só nesses dois itens se consome metade da recomendação diária de sal.
O corpo humano é uma rede, tudo está interligado. Se algum setor não trabalhar como deve, outros setores são sobrecarregados. O alto consumo de sódio está relacionado com a elevação da pressão arterial, que, por conseguinte, pode acarretar doenças cérebro-vasculares e arteriais, insuficiência cardíaca e renal e morte. Para se ter uma ideia, ela é responsável por 40% das mortes por AVC e 25% das mortes por doenças coronarianas. Além disso, a alta ingestão de sódio está associada a uma maior excreção de cálcio, o que pode ser um fator de risco para osteoporose. (esse problema é maior nas mulheres por serem mais suscetíveis a esta doença)
A falta de tempo, na maioria dos casos, acaba sendo um bode expiatório em relação ao consumo em excesso do dois vilões mais atuais do século 21.
A ideia para reduzir o sal é resgatar antigos hábitos e utilizar os “temperos da vovó”. Utilize limão, vinagre, azeite, mostarda, alho in natura, cebola, salsinha, cebolinha, pimentão, etc. Pois bem: abuse desses temperos e das ervas como: orégano, alecrim, manjericão, coentro, pimenta branca, pimenta do reino, etc, e esqueça os temperos e molhos prontos que são ricos em sódios e gorduras. Evite pimenta se você tiver algum problema gástrico diagnosticado pelo médico especialista. Lembre-se: sem sal é diferente de sem tempero!
O segundo pior vilão: O açúcar branco é o resultado de um processamento químico que retira da garapa da cana e do mascavo as suas fibras, proteínas, sais minerais, vitaminas etc., resta apenas o carboidrato, pobre, isolado. Se houver equilíbrio de ingestão entre os nutrientes necessários, o açúcar não precisará ser banido da dieta de ninguém. Ainda assim, para aquelas pessoas que nunca tentaram retirar e substituir o açúcar eu daria a sugestão de tentar. Pois, quando conseguir, chegará à conclusão de que nunca precisou dele. Para quem realmente já tentou, se esforçou e nunca se adaptou, eu sugiro que reduza aos pouco a quantidade, até chegar ao mínimo que a pessoa consiga.
Diante de um problema de tamanha proporção, a indústria de alimentos e os governos devem desenvolver ações em conjunto no sentido de aumentar a produção de alimentos mais saudáveis e de menor custo. As agências reguladoras de alimentos devem se empenhar em exigir rotulações exatas e de linguagem acessível ao público leigo. “E finalmente, os governos devem sobretaxar alimentos mais calóricos e subsidiar alimentos mais saudáveis, tornando vantajosa a compra desses, não somente do ponto de vista nutricional, mas também econômico.
Todo e qualquer aumento excessivo no teor de açúcar e gordura dos alimentos deveria ser tributado e não o contrário, como ocorre na indústria de alimentos. Hoje, um litro de leite desnatado é muito mais caro do que um litro de leite integral. Chega a ser ínfimo o preço de um pacote de bolachas recheadas em relação ao preço do pão integral.
Vamos segurar esta bandeira, que a Hungria consiga implementar esta lei e o Brasil siga o exemplo e mude de uma vez esta política do engordamento.
Até mais.
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